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quarta-feira, 3 de agosto de 2011

PILOTO AUTOMÁTICO...


A MENTE APAGA REGISTROS DUPLICADOS
Por Airton Luiz Mendonça (Artigo do jornal O Estado de São Paulo).
O cérebro humano mede o tempo por meio da observação dos movimentos.. Se alguém colocar você dentro de uma sala branca vazia, sem nenhuma mobília, sem portas ou janelas, sem relógio.... você começará a perder a noção do tempo. Por alguns dias, sua mente detectará a passagem do tempo sentindo as reações internas do seu corpo, incluindo os batimentos cardíacos, ciclos de sono, fome, sede e pressão sanguínea. Isso acontece porque nossa noção de passagem do tempo deriva do movimento dos objetos, pessoas, sinais naturais e da repetição de eventos cíclicos, como o nascer e o pôr do sol. Compreendido este ponto, há outra coisa que você tem que considerar: Nosso cérebro é extremamente otimizado. Ele evita fazer duas vezes o mesmo trabalho. Um adulto médio tem entre 40 e 60 mil pensamentos por dia. Qualquer um de nós ficaria louco se o cérebro tivesse que processar conscientemente tal quantidade. Por isso, a maior parte destes pensamentos é automatizada e não aparece no índice de eventos do dia e portanto, quando você vive uma experiência pela primeira vez, ele dedica muitos recursos para compreender o que está acontecendo. É quando você se sente mais vivo. Conforme a mesma experiência vai se repetindo, ele vai simplesmente colocando suas reações no modo automático e 'apagando' as experiências duplicadas. Se você entendeu estes dois pontos, já vai compreender porque parece que o tempo acelera, quando ficamos mais velhos e porque os Natais chegam cada vez mais rapidamente. Quando começamos a dirigir automóveis, tudo parece muito complicado, nossa atenção parece ser requisitada ao máximo. Então, um dia dirigimos trocando de marcha, olhando os semáforos, lendo os sinais ou até falando ao celular ao mesmo tempo. Como acontece? Simples: o cérebro já sabe o que está escrito nas placas (você não lê com os olhos, mas com a imagem anterior, na mente); O cérebro já sabe qual marcha trocar (ele simplesmente pega suas experiências passadas e usa , no lugar de repetir realmente a experiência). Ou seja, você não vivenciou aquela experiência, pelo menos para a mente. Aqueles críticos segundos de troca de marcha, leitura de placa são apagados de sua noção de passagem do tempo. Quando você começa a repetir algo exatamente igual, a mente apaga a experiência repetida. Conforme envelhecemos as coisas começam a se repetir - as mesmas ruas, pessoas, problemas, desafios, programas de televisão, reclamações, -.... enfim... as experiências novas (aquelas que fazem a mente parar e pensar de verdade, fazendo com que seu dia pareça ter sido longo e cheio de novidades), vão diminuindo. Até que tanta coisa se repete que fica difícil dizer o que tivemos de novidade na semana, no ano ou, para algumas pessoas, na década. Em outras palavras, o que faz o tempo parecer que acelera é a... ROTINA A rotina é essencial para a vida e otimiza muita coisa, mas a maioria das pessoas ama tanto a rotina que, ao longo da vida, seu diário acaba sendo um livro de um só capítulo, repetido todos os anos...

Há alguns dias, me deparei com este e-mail e achei muito interessante, mas ele me veio mesmo à mente ontem durante uma aula de natação que eu estava dando.
Peguei um aluno, que subiu de nível e comecei a dar a ele a aula - perna com prancha, perna com prancha girando o braço e respirando, etc. - Até que o inesperado aconteceu. O óculos do garoto caiu no fundo da piscina, que tem 1,40m e ele não conseguia pegá-lo. Eu estava querendo ensinar um garoto a nadar crawl, sendo que nem afundar ele sabia.
Isto é o reflexo do nosso estado de "automático". Eu já vivenciei aquela experiência de ensinar alguém a nadar milhões de vezes, mas para o aluno, esta é a primeira vez.
Ligado no "automático", eu como muitos, esquecemos de coisas básicas nas aulas, como afundar, soltar bolinhas, saltar, mergulhar, BRINCAR.
As crianças de hoje, não tem o tempo de brincadeiras como eu tinha e não possuem a vivência motora de duas gerações atrás, então cabe a nós, professores proporcionar estas vivências antes de entrar com a "aula" propriamente dita.
Sei que aos olhos dos leigos (pais e mães), minha aula pareceu se transformar numa enrolação, pois comecei a jogar uma pedra no fundo da piscina para que o aluno aprendesse a afundar, mas aí entram os conceitos de objetivo e conhecimento - algo essencial na nossa profissão.
Parece banal, mas como poderia entrar com conceitos mais dinâmicos e complexos, como braçada, ângulo de entrada de mão, finalização, etc, para um aluno que não consegue movimentar seu corpo para afundar na piscina? Como aprimorar quem não consegue resolver um problema?
Temos que ter mais cuidado com nossas aulas, ensinar a nadar não é só movimentar braços e pernas... Temos que ter mais cuidado para não cair nas armadilhas do "automático". Eu caí.
Até mais

terça-feira, 26 de abril de 2011

MEU PLANEJAMENTO...



Ola. Prof.

Me chamo Raphael e descobri o seu blog a pouco tempo e achei super interessante.

Prof. uma postagem que me deixou ligado foi em que o Sr. diz que planejar é realmente necessário.

estou a 2 anos atuando com natação infantil, que é voltado para a ludicidade e esporadicamente ocorrem algumas competições locais.

Neste período de atuação, somente a partir deste ano que eu comecei a registrar minhas aulas e seguir um planejamento que eu mesmo elaborei, e percebi o quanto facilitou a minha rotina.

Mas ainda sim acredito que seja pobre.

Prof. existe algum protocolo ou tabela que possa nos dar um norte, de como organizar de melhor forma as aulas?rigo
Prof. Obrigado pelo Blog


Olá Raphael, obrigado pelos elogios.
Acredito que o planejamento seja tão pessoal quanto as aulas, mas para não ficar na superficialidade, vou falar como é o meu.
Para as aulas, utilizo uma folha de sulfite, nela coloco todas as aulas do mês. Começo pelo objetivo que desejo para as aulas das semanas e monto as aulas. Depois disso, passo um olhar em todas elas e faço marcações coloridas diferenciando os estilos para me certificar que trabalhei todos os estilos em cada semana.
O próximo passo é ver se trabalhei a contento o objetivo estipulado para o mês, a quantidade de trabalhos de braços e pernas e se há a preocupação com saídas e viradas. Pronto está feito o planejamento das aulas.
Abaixo, coloco o planejamento das aulas de Abril, que foi feito pelo Professor Everton Gomes, mas segue a mesma forma do meu planejamento.

O processo para o planejamento dos treinamentos é um pouco mais complexo.
Tenho um planejamento semestral que monto no computador. Baseado nessas informações, planejo a semana numa folha A3, pois gosto de observar a semana inteira numa só batida de olho.
Esta folha, possui as seguintes lacunas:
- série de educativos
- série técnica
- séries principais
- trabalho de pernas
- trabalho de braços
- parte física
O terceiro passo é passar as informações das valências físicas para uma planilha de excell e verificar se a intensidade e a quantidade das valências e dos estilos está dentro do programado. Terminado este processo, passo para uma planilha do excell os treinamentos da semana, da mesma forma que estão na folha A3. Esta planilha server para armazenar os treinamentos e mandar para as pessoas que fazem parte da comissão técnica do Paineiras.
A última etapa é escrever os treinos na minha agenda diária que utilizo na borda da piscina.
Para encerrar, há alguns anos, tentamos unificar os planejamentos e a forma de se mentar os treinamentos no Paineiras, mas não deu certo. Cada pessoa tem a sua forma de planejar, visualizar e montar suas aulas ou treinos, cada pessoa tem seu processo, cabe a você achar o seu.
Claro que ele não sairá perfeito da primeira vez e isso é muito legal, porque aí você vai modificando e deixando do seu moda, com a sua cara.
Espero que tenha sido boa a resposta.
Abraços.
Prof. Rogerio Mixirica Nocentini

segunda-feira, 14 de março de 2011

PLANEJAMENTO. É REALMENTE NECESSÁRIO?...




Em alguns cursos que dei e mesmo em conversa com amigos, algumas pessoas me perguntam o que, na minha opinião, é mais importante nas aulas de natação?
PLANEJAR!
Parece algo tão óbvio, mas na maioria das vezes não fazemos o óbvio, ou por achar que é tão básico que não é necessário, ou porque nos achamos "demais" e não precisamos disto. O fato é que o planejamento é o primeiro passo para se ter qualidade nas aulas de natação.
Com o planejamento sei o que dei, que estilos trabalhei, que corretivos apliquei e em que intensidade foi minha aula, para que possa montar aulas estimulantes, diferentes e, principal e mais importante, aulas que façam com que meus alunos melhorem.
Um dos maiores desafios de um professor nos dias de hoje é manter os seus alunos motivados. As pessoas tem tantas atividades para escolher, algumas delas muito mais interessantes e atrativas que a natação, que precisam colocar no papel a sua aula antes de aplicá-la, precisam fazer com que seus alunos gostem de fazer sua aula, gostem e sintam necessidade de vir à piscina para ver e fazer o que você planejou para elas.
Planejar é, acima de tudo, se preocupar com seus alunos. E eles percebem isto!
Esquematizar as suas aulas não requer planilhas mirabolantes, apresentações em power point, fogos de artifício, noites sem dormir, etc. Uma folha de papel e um lápis já são suficientes.
Na minha opinião, um planejamento simples deve conter:
1 -Qual a filosofia do local onde trabalho? recreativa, competitiva? - minhas aulas devem estar de acordo com a filosofia do local onde trabalho. Não precisa estar no planejamento, mas deve ser levada em conta na construção da sua aula.
2 - Objetivos do mês - aonde estou e aonde quero chegar com esta turma em 1 mês.
3 - Objetivos da semana - o que vou trabalhar, mais do que as outras coisas de sempre esta semana? braço, perna, intensidade, volume, estilos, correção, etc...
4 - Materiais - para os objetivos que tenho, quais os materiais que vou utilizar e quando?
5 - Educativos / Corretivos - quais vou utilizar para cada estilo trabalhado, quando, com qual objetivo e em qual progressão?
6 - Intensidade - qual a intensidade que vou utilizar em cada dia da semana?
7 - Exercícios - quais, quantos e em que estilos?
A partir daí, é só ver o que é mais importante para você e adicionar ao seu planejamento.
Faça este exercício, (caso você não tenha já o costume de planejar sua aula) faça o planejamento de 1 mês de aula e vá colocando numa folha de papel ou numa planilha de computador as coisas que você acha importante. Depois disso, SIGA o seu planejamento. Tenho certeza que sua aula ficará mais motivante, mais alegre, mais diversificada e com uma qualidade infinitamente superior.
Até mais.